2, outubro, 2026

Poéticas Pretas 2026

Territórios em movimento: saberes, criação e protagonismos negros

Núcleo  Pèrègun. Foto: acervo do grupo

Com inspiração no pensamento da historiadora Beatriz Nascimento, o evento do NEABI/Célia Helena promove o diálogo entre pesquisa, fazer artístico e memórias, tendo como foco o protagonismo negro nas artes da cena.

No próximo dia 22 de outubro, o NEABI (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas), da Escola Superior de Artes Célia Helena, realiza uma nova edição do Poéticas Pretas.

Tendo como mote Territórios em movimento: saberes, criação e protagonismos negros, o encontro traz à cena as presenças e a diversidade de vozes negras. Guiada pelo compromisso com a igualdade étnico-racial, o encontro reúne pesquisas e experiências de protagonismo negro, reconhecendo a pluralidade de epistemologias, perspectivas e linguagens das artes da cena.

Em diálogo com a ação cartográfica e com o pensamento da historiadora e professora Beatriz Nascimento (1942-1995), compreendemos o território para além de sua dimensão geográfica, mas também como espaço de pertencimento, memória e produção de conhecimento. Nessa perspectiva, o território se constitui como experiência de continuidade, organização coletiva e produção de existência, tendo o quilombo como referência histórica e simbólica.

Sendo assim, Territórios em movimento: saberes, criação e protagonismos negros expressa trajetórias e saberes em circulação e reafirma o entrelaçamento entre o fazer artístico, a pesquisa e a construção de pensamentos, a partir das experiências de artistas-pesquisadores negros e negras.


“O evento é uma oportunidade ímpar para estudantes, educadores e artistas compreenderem a arte não apenas como estética, mas como um ato de afirmação, resistência e valorização da identidade cultural, da ancestralidade e do protagonismo negro.”

Solange Ferreira
coordenadora do NEABI


Evento: Poéticas Originárias

22 de maio (quinta-feira)

Das 18h às 22h15

Local: Teatro do Célia – Av. São Gabriel, 444 - Itaim Bibi, São Paulo (SP) 

Entrada gratuita, sujeita à lotação 

Programação

  • 19h às 19h10: Recepção – Abertura

  • 19h20 às 19h40: Experimento Cênico – Corpo Alvo, com Roniel Paz

  • 19h45 às 20h25: Apresentação de produções e Roda de conversa, com Antônia Pinheiro e Rafael Augusto

  • 20h30 – Intervenção: Amabbi

  • 20h45 às 21h25 – Núcleo Pèrègun, com Carol Ewace e Welington Ngunga

  • 21h30 – Quilombolas de Luz Capoeira

  • 22h – Encerramento

Sobre os convidados

Experimento Cênico – Corpo Alvo, com Roniel Paz

Foto: arquivo pessoal

A performance expõe um corpo preto em movimento que atravessa fronteiras carregando marcas na pele. No mundo contemporâneo, esse corpo é o alvo de uma violência sistêmica e cotidiana da qual é impossível se desvencilhar do acúmulo das cicatrizes sociais.  No recorte cênico,  ao cruzar fronteiras visíveis e invisíveis, corporifica-se as estatísticas de confronto que transforma o movimento em denúncia e a própria existência em um ato de resistência contra o racismo estrutural.

Websérie Um amor arretado – Diretora e Roteirista: Antônia Pinheiro

Fotos: acervo pessoal

Fotos: acervo do grupo

A websérie Um amor arretado resgata a identidade cultural do município de Pimenteiras, do Piauí e do Nordeste, território com pouco acesso à produção audiovisual, ao colocar em foco a lenda de Zabelê e as riquezas e memórias da região. Ambientada no calor do sertão, a websérie revela o amor proibido entre Ana Laura e Zé Filipe. Em uma pequena cidade do Piauí, essa paixão avassaladora se torna um perigo ao reacender uma rivalidade histórica entre suas famílias. Quando o segredo é exposto em plena vaquejada, o casal é forçado a tomar uma difícil decisão: honrar o sangue da família ou lutar por esse amor impossível.

Foto: João Caldas

 Protagonistas do Amanhã – Rafael Augusto

Viabilizado a partir da aprovação em um edital de fomento cultural, o projeto social de atuação e audiovisual Protagonistas do amanhã, proposto por Rafael Augusto, consolidou-se como uma bem-sucedida experiência de transformação na Zona Sul. A iniciativa de atuação e audiovisual utilizou o ensino prático do teatro e do cinema como ferramentas de expressão, capacitando os participantes em técnicas de interpretação, consciência corporal, roteiro e produção cinematográfica. Através de uma metodologia profundamente colaborativa, o projeto validou a importância do incentivo ao permitir que a comunidade se tornasse protagonista, com a exibição de quatro curtas-metragens desenvolvidos, convertendo suas próprias histórias e vivências reais em arte de forte impacto social.

Foto: João Caldas

Amabbi

Cantora e artista da música urbana. Em seu álbum de estreia, Versos e Voos (2024), articula trap, R&B e literatura poética, construindo uma linguagem marcada pela palavra, pela musicalidade e pelas experiências de mulheres pretas. Em 2026, lança seu segundo álbum de estúdio, Crisálida, trabalho que investiga processos de transformação artística e o fortalecimento de redes coletivas entre mulheres pretas. No mesmo ano, protagoniza uma edição da Rolling Stone Sessions, apresentando o álbum na íntegra no Blue Note São Paulo. Com apresentações em importantes palcos, incluindo o Rock in Rio, Amabbi marca sua presença no Poéticas Pretas 2026. Sua atuação retoma uma dimensão fundamental da cultura Hip-Hop: a palavra falada como elemento de condução, conexão e circulação de pensamentos, experiências e saberes.

Núcleo  Pèrègun –  Carol Ewace e  Welington Ngunga

Apresentação do livro Pèrégun A Nativa: afetos, encontros e saberes  de terreiros, publicado pelo selo Oralituras

Carol Rocha Ewaci e Wellington Ngunga (Tom) são artistas da cena contemporânea de São Paulo, que se conheceram em 2006 no Afoxé Filhos da Coroa de Dadá. Ao longo dos anos, a parceria entre eles se fortaleceu, ao se reencontrarem no projeto "Ialodês", da Capulanas Cia de Arte Negra em 2016, com base na metodologia de preparação corporal "Deuses que dançam", desenvolvida por Tom Ngunga. Entre 2017 e 2021, também colaboraram no Movimento Mercedes Baptista, explorando a presença de mulheres negras na dança e realizando reflexões sobre as danças negras e a história da primeira bailarina negra a entrar em um teatro municipal. No ano de 2020, durante a pandemia, Carol e Tom passaram a refletir sobre suas pesquisas e decidiram criar um trabalho que destacasse a diversidade de suas danças, com foco na ancestralidade africana, indígena e nas tradições de terreiro de candomblé. Esse projeto, chamado "Pèrègun - A Nativa", nasceu da necessidade de enfrentar os desafios da pandemia e explorar as potencialidades das danças afro-brasileiras, com ênfase na orixalidade. A proposta visa fortalecer a cena da dança na cidade de São Paulo e fomentar a pluralidade na dança, além de dar visibilidade aos saberes e práticas culturais negras e indígenas, combatendo o epistemicídio de nosso povo.

NEABI
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas

Iniciativa da Escola Superior de Artes Célia Helena, o NEABI promove a igualdade étnico-racial através da articulação entre ensino, pesquisa e extensão, focando em práticas pedagógicas e artísticas antirracistas. Sob a coordenação da Profa. Me. Solange Ferreira e um coletivo diverso de especialistas, o núcleo busca integrar saberes historicamente silenciados ao currículo institucional, construindo uma educação plural que valoriza o diálogo intercultural e a diversidade de perspectivas no campo das artes.

“O NEABI visa promover a reeducação das relações étnico-raciais, por meio do diálogo entre as diferentes áreas de conhecimento, a fim de contribuir para a consolidação de políticas antirracistas no campo da arte-educação. A iniciativa fortalece processos de afirmação identitária e enfrentamento ao racismo estrutural e institucional, compreendendo essa responsabilidade como compromisso coletivo e não restrito exclusivamente à população negra e indígena.

Dessa forma, a Escola Superior de Artes Célia Helena posiciona-se como espaço de reflexão crítica, transformação social e compromisso com a equidade racial, por meio de ações de ensino, pesquisa e extensão inseridas na estrutura organizacional da instituição.”

Solange Ferreira