Sobre o Célia Helena

O contestado, de Romário José Borelli. Produção: Célia Helena.
São Paulo, Teatro Célia Helena, jul. 1977.

Uma escola com quase cinco décadas de história, que conecta um número cada vez maior de pessoas nos diversos campos das artes, da educação e da comunicação.

O Célia Helena é reconhecido pela fundamentação e excelência na área das artes da cena, pela formação de dramaturgos, diretores, atores e atrizes para teatro, televisão, cinema e outras plataformas audiovisuais.

Fundado em 1977 pela atriz Célia Helena e, desde 1997, sob a direção de Lígia Cortez, atriz, diretora e educadora, tem expandido suas ações artístico-pedagógicas e se consolidado como referência no cenário artístico do Brasil.

Os cursos do Célia Helena Centro de Artes e Educação oferecem uma ampla programação, destinada a variados públicos, desde cursos livres até pós-graduação.

Célia Helena


“A formação do ator deve contemplar, além do conteúdo técnico, também um pensamento crítico, criativo e ético, determinante e historicamente parte do ofício de um artista-criador.”

Célia Helena (1936-1997), atriz, diretora e especialista em pedagogia para jovens, nasceu em São Paulo e, aos 16 anos, por não poder cursar a recém-criada Escola de Arte Dramática (EAD), iniciou seus estudos com Ruggero Jacobbi, diretor italiano responsável por ministrar um curso de atuação para cinema no Centro de Estudos Cinematográficos de São Paulo.

Em 1953, estreou no cinema no filme Fatalidade, produzido por Mario Civelli e dirigido por Jacques Marret e, nesse mesmo ano, foi convidada para integrar o elenco de Inimigos íntimos, de Barillet e Grèdy, uma produção da primeira companhia estável do Brasil, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com direção de Adolfo Celi.

Em 1955, trabalhou na televisão Paulista, no programa Teatro da Semana, dirigida por um jovem muito talentoso, Antunes Filho, e, no Teatro de Arena, atuou em O prazer da honestidade, de Luigi Pirandello.

Artista ímpar e atuante, participou dos principais movimentos de vanguarda e renovação do teatro brasileiro na década de 1960: Teatro de Arena, Opinião e Oficina.

Em 1960, integra o elenco da montagem Boca de ouro, de Nelson Rodrigues, sob a direção do diretor polonês Ziembinski. No ano seguinte, junto ao Teatro Oficina, participou dos estudos conduzidos por Eugênio Kusnet sobre o trabalho do ator, a partir do sistema de Stanislávski. No Oficina, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, atuou em A vida impressa em dólar, de Clifford Odetts. Interpretando Tatiana, em Pequenos burgueses, de Máximo Górki, ganhou todos os prêmios de melhor atriz em 1963. Em 1964, ainda no Oficina, atuou em Andorra, de Max Frisch, e, dois anos depois, em Os inimigos, de Máximo Gorki.

Em 1972, paralelamente à atividade de atriz, iniciou seu trabalho inovador e pioneiro de formação de jovens, por meio do teatro, com um propósito social e educacional, sempre levando em consideração a troca de saberes para a formação da cidadania, o desenvolvimento pessoal, e a formação humana e cultural.

Em 1977, o trabalho desenvolvido com crianças e jovens em comunidades no interior do estado de São Paulo impulsionou a criação de um espaço agregador e de encontro de adolescentes por meio da arte, o Teatro Célia Helena, com cursos de orientação teatral. Um lugar dedicado à criatividade, à sociabilidade, à autonomia criativa e à produção de trabalhos autorais desses adolescentes como sujeitos pensantes e críticos.

Para garantir o reconhecimento do trabalho desenvolvido nos cursos de orientação teatral, Célia Helena iniciou o diálogo com o Sindicato dos Artistas e Técnicos do Estado de São Paulo e com o Ministério do Trabalho, após a regulamentação das profissões de artista e de técnico (Lei 6.533/78). Como fruto dessas articulações, os integrantes do grupo Quem Tá Vivo Sempre Aparece (núcleo de adolescentes do curso de orientação teatral empenhado em criar espetáculos alinhados às questões sociais e culturais) receberam o Registro Profissional de ator/atriz.

Em 1983, a atriz Lígia Cortez, filha de Célia Helena, criou a Casa do Teatro, cujo curso de teatro, como linguagem múltipla, é desenvolvido a partir da interface com as linguagens das Artes da Cena: dança, música, artes plásticas, circo, teatro de formas animadas para crianças e adolescentes a partir de 4 anos de idade.

Em outra iniciativa pioneira, em 1989, Célia Helena criou o curso técnico de formação de ator/atriz para jovens a partir dos 14 anos, consolidando a oferta de um curso autorizado e reconhecido pela Secretaria de Educação do estado de São Paulo.

Para ampliar ainda mais a formação nas áreas artística e de pesquisa, em 2008, a atriz e diretora Lígia Cortez criou a Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), com o curso de Graduação, Bacharelado em Teatro. Como consequência natural, as ações da ESCH têm como prioridade a valorização dos estudos continuados nas modalidades de Iniciação Científica, Extensão, Pós-Graduação lato sensu e stricto sensu, com Programa de Pós-graduação em Artes da Cena (PROA), que desde 2017 desenvolve o curso de Mestrado Profissional em Artes da Cena e, a partir de 2025 o Doutorado Profissional em Artes da Cena.

O legado, os fundamentos pedagógicos e o ideário de criação de cursos para formação artística de jovens foram fundamentais para a continuidade, a permanência e o reconhecimento do Célia Helena Centro de Artes e Educação, que articula essas diferentes frentes de formação em artes da cena.


Lígia Cortez

Foto: Nathan Carvalho


Lígia Cortez é atriz, diretora teatral, arte-educadora e pesquisadora. Diretora artístico pedagógica do Célia Helena Centro de Artes e Educação que reúne a Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), com cursos de graduação e pós-graduação, o curso Profissionalizante em Teatro Célia Helena (TECH) e a Casa do Teatro, com curso de teatro para crianças e jovens. Pró-reitora do Programa de Pós-graduação em Artes da Cena (PROA) da Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), que desenvolve o curso de Mestrado Profissional em Artes da Cena desde 2017 e, a partir de 2025, o Doutorado Profissional em Artes da Cena.

Formada em Educação Artística, é doutora no Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

Iniciou suas atividades artísticas aos 16 anos no curso de orientação teatral do Teatro-escola Célia Helena. Participou nos anos de 1980 do Grupo de Teatro Macunaíma, sob a direção de Antunes Filho, representante do Brasil nos festivais internacionais de países da América Latina e Europa.  Nas viagens, uniu ao exercício profissional como atriz, visitas a instituições e escolas com cursos de teatro para a infância e juventude, e em 1983, fundou a Casa do Teatro.

É idealizadora de projetos para o intercâmbio, reconhecimento e estudos sobre as aproximações e diferenciações entre os países da América Latina. É editora dos livros Conexões: Nova Dramaturgia para Jovens(2007-2019), publicação bilíngue anual do Projeto Conexões e, desde 2009, da revista acadêmica Olhares.

Acumula vasta experiência como atriz no cinema, televisão e teatro, tendo trabalhado com grandes diretores nacionais como Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa, Ron Daniels, Fauzi Arap, Flávio Rangel, Flávio de Souza, Roberto Lage, Hamilton Vaz Pereira, Sérgio Bianchi.


História

Tudo começou em uma antiga fábrica de carimbos artesanais no bairro da Liberdade, na cidade de São Paulo. O arquiteto Ruy Ohtake, ao pensar na arquitetura do espaço, preservou a estrutura, para manter a proximidade entre público e atores. Foi nesse espaço que, em 1977, Célia Helena, já com uma carreira sólida como atriz e educadora, baseada no trabalho desenvolvido com crianças e jovens, criou um local de encontro de adolescentes por meio da arte, o Teatro Célia Helena, com cursos de orientação teatral. Um lugar dedicado à criatividade, sociabilidade, autonomia criativa e à produção de trabalhos autorais.

O trabalho artístico, pedagógico e formativo solidificou-se com a regulamentação do curso técnico profissionalizante do Teatro-escola Célia Helena (TECH), em 1988, voltado para o ofício do ator e da atriz, em conformidade com a legislação de regulamentação da profissão do artista e técnico (Lei 6.533/78 e Decreto 82.385/78) e autorizado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

De forma orgânica, em 2008, iniciaram-se as atividades acadêmicas no campo do ensino superior da Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), com a implantação da Graduação em Teatro, na modalidade Bacharelado. O currículo e a metodologia singular foram concebidos com um corpo docente formado por artistas da cena e pesquisadores.

Importante ressaltar que a origem da ESCH completa a história do Teatro-escola Célia Helena, que, desde sua origem, conjugou a formação profissional para o teatro com a reflexão e a investigação acerca das múltiplas potencialidades do fazer artístico.

Fachada do Teatro Célia Helena, construída pelo arquiteto Ruy Ohtake no Bairro da Liberdade, em São Paulo, 1977.

Com início das atividades acadêmicas, seguiram-se as aberturas de pós-graduações lato sensu, a intensificação dos acordos de intercâmbios internacionais e o Mestrado Profissional em Artes da Cena.

Todas as ações desenvolvidas estão, conceitualmente, alinhadas à história originária, em que pesquisa e ofício assumem um caminho de coerência e respaldo ideológico nas áreas de saber, no qual teoria, prática e inovação são essenciais para o exercício profissional.

Desde sua criação, a ESCH sempre teve como prioridade a excelência profissional, focada no trabalho do ator e da atriz para o exercício profissional em teatro, televisão e cinema, bem como a ampliação e o aprofundamento dos estudos e da pesquisa autoral por meio das pós-graduações lato e stricto sensu.

Sempre orientada a inovar e a cumprir sua missão de ensinar e de formação de atores, o Célia Helena Centro de Artes e Educação abriu nova frente de trabalho para o formando, com o curso de Licenciatura em Teatro (2021), adequando-se à recente alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que estabelece as artes visuais, a dança, a música e o teatro como linguagens que constituem o componente curricular “Artes” no ensino formal de nível básico. Pela matriz curricular, em seu eixo Práticas e Conceitos em Interpretação Teatral, os licenciados deverão experimentar, em um currículo teórico-prático, a prática artística teatral e estarão também aptos a aplicar seus conhecimentos em sala de aula.

Nesta trajetória, em que se mesclam sintonia às demandas sociais e culturais, a ESCH tem sido reconhecida, pela Comissão Especial do MEC, com conceitos muito bons (4/5) a suas atividades desenvolvidas e implicadas ao ensino, pesquisa e extensão. Esse reconhecimento nos demonstra que, além do seu papel formativo, é uma instituição comprometida em ofertar atividades culturais de qualidade para a sociedade.

Instalações


Unidade Itaim

  • Teatro do Célia

    O Teatro do Célia, reaberto em 2023, celebrou 45 anos de história dedicada à formação teatral e ao fomento da cultura. Valoriza a proximidade entre atores e espectadores e a flexibilidade cênica. abriga montagens teatrais profissionais e também de processos criativos, seminários, eventos e trabalhos experimentais dos estudantes.

  • Laboratórios de Artes

    Equipado com recursos de multimídia, som e luz, está localizado no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, e é utilizado para aulas, ensaios, apresentações de processos criativos, seminários, eventos e trabalhos experimentais dos alunos.

  • Sala Estúdio

    Sala Estúdio

    A Sala Estúdio é um ambiente preparado com isolamento acústico e equipamentos audiovisuais, oferecendo aos alunos a oportunidade de realizarem gravações e exercícios práticos em um espaço que simula o ambiente de filmagem.

  • Sala Experimental

    Sala Experimental

    Utilizada para ensaios e preparações de processos criativos, seminários, eventos e trabalhos experimentais dos alunos, oferece a estrutura ideal para o desenvolvimento artístico.

  • Sala de Caracterização Cênica e Camarim

    Sala de Caracterização Cênica e Camarim

    Neste espaço, os alunos podem colocar em prática as técnicas de maquiagem e figurino desenvolvidas durante os cursos. A Sala de Caracterização Cênica é dedicada ao exercício e experimentação dessas habilidades essenciais no teatro.

  • Laboratório de Informática

    Laboratório de Informática

    Está disponível para a comunidade acadêmica durante todo o período de funcionamento da instituição. Com acesso wireless em todos os espaços, é um local dedicado ao estudo e pesquisa, proporcionando suporte técnico para o desenvolvimento das atividades acadêmicas.

  • Sala de leitura com estantescheias de livros, cadeira, mesa, e iluminação natural.

    Biblioteca Raul Cortez / Sala de Estudos

    Criada em 2008 e especializada em artes e humanidades, abriga mais de 16 mil títulos, incluindo os acervos pessoais dos atores Célia Helena e Raul Cortez. Oferece serviços e recursos de informação essenciais para o ensino, pesquisa e extensão, atendendo tanto à comunidade acadêmica quanto ao público em geral.

  • Corredor com paredes amarelas, mesas com toalhas vermelhas, cadeiras de madeira, plantas ao lado, uma árvore crescendo dentro do espaço, quadro de avisos na parede, tela de monitor na parede direita, lixo ao lado, bancos de madeira na parede ao fundo.

    Cantina e Espaço de Lazer

    A Cantina e o Espaço de Lazer são dedicados à socialização e ao bem-estar dos alunos. Oferecendo lanches, refeições e opções vegetarianas, é um ambiente acolhedor para refeições e convivência nos intervalos das atividades acadêmicas.

Unidade Pacaembu

  • Fachada

    Fachada

    Situada em um casarão de estilo modernista, a sede Pacaembu dialoga com o entorno arborizado. Suas linhas amplas e localização acessível compõem um ambiente estimulante à vivência das artes.

  • Entrada

    Entrada

    A sombra e o verde aconchegante das plantas acolhem quem chega, criando uma ambiência agradável e convidativa a experimentações artísticas.

  • Pátio

    Pátio

    Mais que vão livre, o pátio abre espaço para jogos e brincadeiras, experimentações coletivas e apresentações cênicas abertas ao público.

  • Ateliê

    Ateliê

    Ambiente dedicado ao fazer manual, o ateliê disponibiliza recursos necessários para a criação de cenografias e indumentárias com técnica e criatividade.

  • Salas de aula

    Salas de aula

    Espaço dedicado a aulas, ensaios e investigação de processos criativos. Uma estrutura ampla pensada para acolher diversos momentos e necessidades, de estudos e debates a experimentações artísticas.