8, maio, 2026
NEABI realiza Poéticas Originárias: ancestralidade e resistência indígena em cena
NEABI realiza Poéticas Originárias: ancestralidade e resistência indígena em cena
Lenise Oliveira em Pa’ra – Rio de Memórias. Foto: divulgação.
Com participação da premiada atriz paraense Lenise Oliveira, da poeta e pesquisadora macuxi Sony Ferseck e de artistas pesquisadoras da Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), o encontro traz a cena o corpo como território de saber e a escrita como ferramenta de resistência, retomada identitária e valorização das culturas indígenas.
No próximo dia 21 de maio, o NEABI (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas), da Escola Superior de Artes Célia Helena, realiza o evento Poéticas Originárias, dedicado a refletir sobre o corpo, a memória e a identidade como ferramentas de insurgência política e artística.
Com uma programação que une pesquisa acadêmica, literatura e performance cênica, o encontro reafirma o compromisso da instituição com a descolonização dos saberes e a visibilidade de narrativas protagonistas das mulheres indígenas e da produção contemporânea.
A noite terá início às 19h15 com a participação especial da Profa. Dra. Sony Ferseck (UFRR). Poeta e pesquisadora macuxi, Sony traz de Roraima o debate "Corpo, Escrita e Ancestralidade", explorando como a escrita se torna um instrumento de retomada identitária. Na sequência, o palco ganha vida com o recorte cênico de "A caixinha dourada de Marley", projeto da estudante Glória Simões, que transforma questões delicadas da infância em potência teatral.
Encerrando a programação, a atriz e dramaturga paraense Lenise Oliveira, vencedora do Prêmio APCA 2025, conduz a roda de conversa "Cartografia Autoetnográfica". Ao lado das mediadoras Jasmin Laub e Silvani Moreno, Lenise convida o público a pensar o corpo como território de saber e o palco como espaço de luta contra o apagamento urbano.
O evento é uma oportunidade ímpar para estudantes, educadores e artistas compreenderem a arte não apenas como estética, mas como um ato de afirmação, resistência e valorização da identidade cultural e do papel da ancestralidade.
“Poéticas Originárias é uma celebração e ação coletiva de conscientização, valorização e empoderamento dos saberes indígenas, que evidencia a pluralidade de vozes e experiências, especialmente de mulheres indígenas.
Convidamos todos e todos para esta partilha de saberes pluriepistêmicos, reunindo artistas-pesquisadoras e pesquisadores em um espaço de escuta, troca e criação, reafirmando a arte como território de presença, memória e transformação.”
Solange Ferreira
coordenadora do NEABI
Evento: Poéticas Originárias
21 de maio (quinta-feira)
Das 19h15 às 22h30
Local: Teatro do Célia – Av. São Gabriel, 444 - Itaim Bibi, São Paulo (SP)
Entrada gratuita, sujeita à lotação
Programação
Recepção – Abertura
Corpo, Escrita e Ancestralidade: Caminhos de Visibilidade e Resistência das Mulheres Indígenas – Profa. Dra. Sony Ferseck (UFRR) – encontro online (50 min)
Recorte cênico e apresentação do livro A caixinha dourada de Marley – Glória Simões (atriz graduanda na Licenciatura em Teatro da Escola Superior de Artes Célia Helena) (25 min)
Roda de conversa com Lenise Oliveira – Mediação de Jasmin Laub e Silvani Moreno (80 min)
Sobre as convidadas
Sony Ferseck
Foto: Divulgação/Sony Ferseck
Para a poeta macuxi Sony Ferseck, a escrita é um caminho de retomada identitária e visibilidade para as mulheres indígenas. Em 2023, obteve o título de Doutora em Estudos de Literatura pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atua como pesquisadora pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Roraima (PPGL/UFRR). Cofundadora, ao lado de Devair Fiorotti, da Wei Editora, a primeira editora independente de Roraima, com foco na publicação de autores indígenas e obras bilíngues. Em 2023, seu livro Weiyamî: mulheres que fazem sol (2022) foi semifinalista na categoria Poesia do 65º Prêmio Jabuti. Em julho de 2025, lançou a obra Susui, focada em ancestralidade e afeto. Outras obras destacadas incluem Pouco verbo (2013) e Movejo (2020).
“Abandonada,
minha anatomia se encurta.
Deixei-a aos pedaços por toda cidade.
Fujo de Nações inventadas e pergunto:
Em que parte de mim se localiza a fronteira?
Que cores tem a bandeira de minha face?
Estrangeira de mim
peço hospedagem.”
Sony Ferseck, trecho de poema publicado
em Movejo.
Glória Simões
Fotos: acervo pessoal
Glória Regina Pires Simões nasceu no Acre, na cidade de Cruzeiro do Sul, e chegou a São Paulo aos cinco anos de idade. Ainda pequena, já carregava um grande sonho: tornar-se artista. Desde então, vem se dedicando aos estudos no campo das expressões artísticas. Hoje, aos 23 anos, é graduanda na Licenciatura em Teatro da ESCH e sócia-fundadora da empresa e companhia teatral Gloritakids, com foco em espetáculos infantis. Motivada pelo desejo de ampliar sua atuação no universo infantil, iniciou sua trajetória na literatura ao escrever sua primeira obra autoral, transformando em palavra escrita uma extensão de sua pesquisa artística.
A caixinha dourada de Marley
Elenco: Gloria Simões e Letycia Martins.
Técnica: Elli Gerbi.
A caixinha dourada de Marley é um espetáculo sensível que acompanha a jornada de Marley, um menino que começa a sentir o mundo pesar por dentro: tristeza que aperta, medo que paralisa, raiva que cresce e o bullying que machuca em silêncio. Ao notar essa turbulência no filho, sua mãe busca ajudá-lo a lidar com as próprias emoções. Para isso, ela revisita memórias profundas de sua infância, compreendendo melhor seus sentimentos, autoamor e o reconhecimento da própria identidade. O recorte apresentará a cena 8, momento central na peça.
O projeto de um espetáculo teatral infantil e literatura infanto-juvenil teve início no Célia Helena, com apoio de Solange Ferreira.
Lenise Oliveira
Foto: Ethel Braga
Lenise Oliveira é uma artista indígena paraense. Idealizadora, dramaturga e atriz do espetáculo solo Pa'ra – Rio de Memórias, ganhador do Prêmio APCA 2025 de Melhor Monólogo. Também idealizadora do projeto Perspectivas Indígenas em Cena, realizado pela Funarte e MinC, com apoio do Museu das Culturas Indígenas, em 2024 (SP). Atua, desde 2018, em espetáculos teatrais em Belém do Pará. Dentre eles, destacam-se: A Casa de Nelson, Tieta e O Cortiço. Estudou atuação pela Universidade Federal do Pará (UFPA), onde atuou nos espetáculos A morte do caixeiro viajante e O Auto do Círio, como Maria, Mãe de Todas as Matas – Jurema. Em 2021, migrou para São Paulo, onde gravou 'Quem Matou Verônica?'. Já em 2022, atuou no musical Como se diz eu te amo?. Nos anos de 2022 e 2023, integrou o grupo do Terreiro Contracolonial na ELT. Em 2023 e 2024, esteve em cartaz no CPT Sesc com O poço da mulher-falcão, espetáculo convidado a participar do FIT 2024.
Mediação Jasmin Laub e Silvani Moreno
Este encontro propõe a Cartografia Autoetnográfica como um caminho para que artistas-pesquisadores reconheçam seu próprio corpo como território de saber. Através de um mergulho nas memórias de infância, a artista busca ferramentas para traduzir vivências únicas em ações cênicas de impacto coletivo. O objetivo é converter a biografia em insurgência, utilizando o palco como um espaço de luta por direitos e pela afirmação de identidades que desafiam a lógica do apagamento urbano.
Cartografia Autoetnográfica: Mergulho na memória para insurgência de cenas políticas
NEABI
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas
Iniciativa da Escola Superior de Artes Célia Helena, o NEABI promove a igualdade étnico-racial através da articulação entre ensino, pesquisa e extensão, focando em práticas pedagógicas e artísticas antirracistas. Sob a coordenação da Profa. Me. Solange Ferreira e um coletivo diverso de especialistas, o núcleo busca integrar saberes historicamente silenciados ao currículo institucional, construindo uma educação plural que valoriza o diálogo intercultural e a diversidade de perspectivas no campo das artes.
“O NEABI visa promover a reeducação das relações étnico-raciais, por meio do diálogo entre as diferentes áreas de conhecimento, a fim de contribuir para a consolidação de políticas antirracistas no campo da arte-educação. A iniciativa fortalece processos de afirmação identitária e enfrentamento ao racismo estrutural e institucional, compreendendo essa responsabilidade como compromisso coletivo e não restrito exclusivamente à população negra e indígena.
Dessa forma, a Escola Superior de Artes Célia Helena posiciona-se como espaço de reflexão crítica, transformação social e compromisso com a equidade racial, por meio de ações de ensino, pesquisa e extensão inseridas na estrutura organizacional da instituição.”
Solange Ferreira