3, outubro, 2025
Mostra artística de TCCs
Licenciatura
Mostra dos Trabalhos de Conclusão da Licenciatura em Teatro
Segundo semestre de 2025
"Nas temporalidades curvas, o tempo e memória são imagens que se refletem."
“A Licenciatura em Teatro foi concebida de modo a guardar profundo vínculo com a história, com a missão e com a identidade da ESCH, pautadas pela busca da formação artística e humana de excelência, capacitando profissionais para atuar no mundo do trabalho como professores de artes, especialmente de teatro, nas redes de escolas que compõem a educação básica.”
— Eleonor Pelliciari
A Escola Superior de Artes Célia Helena convida toda a sua comunidade teatral a participar da Mostra dos Trabalhos de Conclusão de Curso da Licenciatura em Teatro, um momento de celebração, reflexão e compartilhamento dos percursos investigativos de nossos e nossas estudantes.
Datas e horários:
14 outubro, das 19h às 22h
21 de outubro, das 18h às 22h
Local:
Teatro do Célia Helena
Av. São Gabriel, 444
Nesta mostra, os(as) estudantes apresentam, de forma poética e instalativa, os assuntos discutidos em suas pesquisas de TCC. A variedade de temas evidencia a riqueza e diversidade de perspectivas que alimentam nossa Licenciatura em Teatro e sua proposta de uma pedagogia artística crítica e sensível.
Convidamos todos os corpos docente e discente do Célia Helena Centro de Artes e Educação a se juntarem a nós nessa celebração do conhecimento, da arte e da formação docente.
— Professora orientadora —
Yonara Dantas
14/10 — Professores debatedores
Gabriela Alcofra
Leonardo Birche
Licko Turle
Trabalhos de Conclusão de Curso - Concluintes (8LN)
— Apresentações —
19h. Ana Semião, Eduarda Araújo, Junior Padovani e Karen Samyra.
20h. Fernando Pernambuco, Jennifer berg, Sabrina Hofstetter e Rosa Txutxá.
21h. Gustavo Zanela, Davi Dias, Paola Carvalho e Giovanna Gomieiro.
Máscara
de silenciamento
Ana Semião
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Este trabalho explora a relação entre memória ancestral, o silêncio através do lugar de onde venho, minha experiência pessoal como artista e os ensinamentos trazidos pelos meus. Trago como referência o livro Memórias da plantação, de Grada Kilomba, que apresenta uma reflexão sobre as formas de silenciamento de corpos negros e analisa como o silenciamento histórico impacta a trajetória educacional da população negra, com foco especial na experiência interiorana. Através do método da pesquisa autobiográfica e história oral, resgato memórias familiares, demonstrando como a educação formal frequentemente opera como mecanismo de apagamento cultural.
Palavras-chave: Memória ancestral; Silêncio; Educação; Teatro.
Palavras-chave: Teatro de grupo; Processo Colaborativo; Teatro da Vertigem; As Bravas; Criação Coletiva
Davi Dias
MediAção Cultural: um resgate ilustrativo da memória de um ator-mediador
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O presente trabalho foi desenvolvido a partir de inquietações vindas da minha experiência como estagiário e mediador cultural, integrando a equipe educativa de uma exposição de arte contemporânea, chamada 22ª Bienal Sesc Videobrasil: A memória é uma ilha de edição. Dentro desta vivência, busca-se articular a prática da mediação em espaços de educação não formal, a partir dos repertórios artísticos de um formando em Artes Cênicas. Aqui ressalto, o domínio do corpo e da presença cênica, a escuta sensível aliada à capacidade de improvisação, a construção narrativa voltada à criação de sentidos, e a consciência cultural e política como fundamentos de uma atuação artístico-pedagógica direcionada à fruição e à formação de público. Essa vivência teve papel significativo em meu processo formativo, permitindo ampliar meu olhar e minha prática como artista e educador. Complementarmente, nesta pesquisa, recorro ao desenho/ilustração como dispositivo poético e de diálogo, resgatando, por meio da imagem, minhas memórias e impressões marcantes deste processo.
Palavras-chave: Mediação Cultural; Artes Cênicas; Artes Integradas; Espaços Expositivos; Memória.
Fernando Pernambuco
Teatro, Eutonia e Escola: conexões para uma Educação Integral
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Esta pesquisa investiga o ensino de teatro no contexto escolar, articulando-o com os recursos pedagógicos da Eutonia, a fim de compreender como essa abordagem pode contribuir para a formação integral dos estudantes. Parte-se da premissa de que a inserção da Eutonia no ensino de teatro possibilita ampliar a percepção corporal, favorecer a consciência sensório-motora e potencializar processos criativos, promovendo um aprendizado mais significativo. Nesse percurso, busco responder às seguintes questões: por que Eutonia? Por que teatro e Eutonia? E por que teatro e Eutonia no espaço escolar? A metodologia adotada é a autoetnografia, que permite a reflexão crítica a partir da minha própria experiência como praticante e pesquisador. Essa perspectiva possibilita o diálogo entre vivências pessoais e contextos pedagógicos mais amplos, tornando visível a dimensão subjetiva do processo investigativo. Reconhecendo, no entanto, que a articulação entre teatro e Eutonia é atravessada por experiências singulares, este trabalho inclui também relatos de profissionais das Artes Cênicas e da Eutonia, com o intuito de ampliar a compreensão acerca das possibilidades e dos desafios desse encontro. Complementarmente, realizo uma revisão bibliográfica, de modo a situar a pesquisa em um campo teórico já consolidado, estabelecendo relações entre fundamentos da pedagogia teatral, da educação somática e das práticas corporais. Essa revisão fornece subsídios para analisar em que medida a Eutonia pode enriquecer metodologias de ensino do teatro na escola, não apenas como técnica auxiliar, mas como um eixo capaz de promover uma educação mais sensível, crítica e integradora. Assim, o estudo propõe compreender a pertinência da Eutonia como recurso pedagógico no ensino de teatro, evidenciando sua contribuição para uma formação que contempla corpo, pensamento e sensibilidade em um processo educativo integral.
Palavras-chave: Teatro; Eutonia; Escola; Educação Somática; Pedagogia.
Eduarda Silva Araújo
Aldeia Quilombo: a autoestima como práticas de transgressão nos espaços educacionais
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A presente investigação visa estabelecer uma pesquisa dentro do conceito Aldeia Quilombo, criando um entrelaçamento no fator principal de minha pesquisa: a autoestima. É através da autoestima que o trabalho se desenvolve, como proposta de caminhos educacionais onde a valorização e o resgate cultural sistematizem novos caminhos dentro da educação, onde todas as crianças possam se reconhecer através de uma história que não a única. Nesse caminho de pesquisa, questionarei a branquitude enquanto sistema, lugar de poder na qual o imaginário se sistematiza como noção universal do saber. Trago como referencias primordiais os escritos de Mestre Nego Bispo, Abdias do Nascimento e bell hooks.
Palavras-chave: Escolas Brasileiras; Racismo; Educação; Autoestima.
Giovanna Gomiero Lima
Fotos narrativas: um estudo sobre o encontro da contação de histórias com a fotografia
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O presente trabalho foi desenvolvido a partir de um desejo pessoal de compreender como uma imagem fotográfica poderia ser capaz de contar uma história. Usando conceitos narrativos de Walter Benjamin e Byung-Chul Han, podemos ver aqui uma trajetória do ser humano como um ser narrativo, como a ideia de narração está ligada à nossa cultura e modo de viver e o que vivemos hoje no mundo moderno com o que chamam de “a crise da narração”. Após entender esses conceitos, trago a fotografia como uma forma de contar histórias que consegue, por vezes, sobreviver à crise narrativa atual, e como a leitura de imagens e o uso da fotografia pode ser benéfico dentro de um contexto escolar, a partir dos conceitos de Ana Mae Barbosa. O trabalho possui fotos produzidas por mim, ou do meu acervo pessoal que ilustram conceitos e momentos descritos ao longo do trabalho, além de uma produção feita especificamente para esta pesquisa, como forma de experimentação da contação de histórias através da fotografia.
Palavras-chave: Contação de Histórias; Narrativas; Fotografia; Educação.
Gustavo Zanela
A experiência de imaginar no espetáculo infantil “Alice no seu Pequeno Grande Quarto das Maravilhas”
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O presente trabalho discute o espetáculo infantil “Alice no seu Pequeno Grande Quarto das Maravilhas” do Grupo Arte Simples de Teatro, estreado em 2023 no Teatro Arthur Azevedo no bairro da Mooca, Zona Leste de São Paulo, e que continua em plena atividade. A partir da peça, o objeto de investigação é analisar alguns pontos escolhidos do espetáculo, um espaço inventado a partir da imaginação, elenco formado por drag queens e as crianças usarem sua criatividade em interações constantes com as atrizes. Para aprofundar, Lev Vygotsky é usado como principal base referencial teórica. O espetáculo é uma experiência de imaginação e criação de repertório para quem assiste. A pesquisa conclui como é importante para a infância terem espaços e oportunidades para as crianças brincarem, usar a imaginação e ser o que elas quiserem.
Palavras-chave: Imaginação; Experiência; Crianças; Alice no País das Maravilhas.
Jennifer Berg
Violência silenciosa: uma análise da subjugação e a gestão dos corpos no contexto político e social atual
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Este trabalho parte da minha vivência pessoal para investigar como instituições sociais, políticas e principalmente religiosas, moldam e controlam os corpos. Desde minha infância, experiências marcadas por regras rígidas e limitações corporais revelaram um processo de subjugação silenciosa, no qual a disciplina se estende do corpo à subjetividade. A análise dialoga principalmente com Michel Foucault e Giorgio Agamben, demonstrando como a vigilância e a exclusão produzem corpos dóceis, úteis e obedientes. Ao mesmo tempo, dialoga também com bell hooks, trazendo uma perspectiva crítica sobre as opressões. Este estudo busca, assim, compreender os mecanismos que restringem a liberdade corporal e propõe a achar caminhos de emancipação por meio da consciência crítica.
Palavras-chave: Corpo; Subjugação; Disciplina; Liberdade.
Paola dos Santos Carvalho
Rir para não silenciar: Stand-up como voz das margens
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Este trabalho apresenta o stand-up comedy como linguagem de resistência, denúncia e afirmação de identidades marginalizadas. Partindo de uma experiência pessoal com o riso e de um olhar de espectadora, a pesquisa seleciona artistas que transformam o palco em espaço político, como Thiago Ventura, Whindersson Nunes, Tatá Mendonça, Ali Wong, Hannah Gadsby e Hasan Minhaj. Além da apresentação desses artistas e de seus discursos, o trabalho articula reflexões teóricas sobre o riso em autores como Bergson e Freud, ressaltando que o humor nunca é neutro, mas cumpre funções sociais que podem tanto reforçar exclusões quanto gerar resistência. O percurso metodológico consistiu em uma leitura crítica de bibliografia acadêmica, obras audiovisuais e apresentações de stand-up, buscando compreender como o riso opera como ferramenta política. Conclui-se que o stand-up não se limita ao entretenimento, mas deve ser reconhecido como uma linguagem capaz de disputar narrativas, dar visibilidade a corpos marginalizados e afirmar vozes historicamente silenciadas.
Palavras-chave: Riso; Stand-up comedy; Resistência; Crítica social; Identidade.
Rosa Txutxá
Inventário vivo de Guapiara: educação, memória e resistência de saberes às margens do rio Apiaí-Mirim
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Este trabalho tem como objetivo a criação do Inventário Vivo como uma prática de cuidado e reconhecimento da memória no contexto de apagamento étnico e cultural das comunidades rurais de Guapiara, no interior sudoeste do estado de São Paulo, marcadas por narrativas orais e modos de vida tradicionais. A pesquisa adota uma abordagem autoetnográfica e interdisciplinar, articulando saberes da arte, da educação e da antropologia para compreender como as memórias coletivas, corporais e territoriais são preservadas e transmitidas nesses territórios, a partir do conceito do Bem Viver. A pesquisa combina análise bibliográfica, estudo de caso e vivências em chão vivo, com escuta de artesãos, anciãos e agricultores da região. O Inventário Vivo é concebido como registro expandido, que reconhece o corpo, o tempo cíclico e os modos de vida coletivos como tecnologias ancestrais de ensino. O estudo também busca compreender seu potencial para fortalecer práticas educativas enraizadas nos saberes locais, contribuindo para uma atuação artística comprometida com a justiça epistêmica e para políticas culturais que reconheçam e valorizem essas formas de conhecimento. Os resultados apontam o Inventário Vivo como ferramenta de resistência, criação e ensino, com aplicação em contextos educativos, museológicos e comunitários.
Palavras-chave: Bem Viver; Comunidade; Inventário vivo; Tapera; Agricultura.
Sabrina Belén González Hofstetter
Paraguai, Brasil e eu: anotações sobre arte, cultura e tradição
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O presente trabalho tem como objetivo resgatar memórias familiares e pessoais, apresentando a trajetória da autora desde a infância até a atualidade. O estudo destaca aspectos relacionados à identidade paraguaia, à ancestralidade e às vivências no território paraguaio sob a perspectiva da autora. Além disso, aborda a experiência de ser estrangeira no Brasil, trazendo uma discussão fundamentada nos aportes teóricos de Paulo Freire e Néstor García Canclini acerca da cidadania e da emancipação. O trabalho também contempla reflexões sobre os benefícios destinados a migrantes e a legislação vigente, com ênfase na Lei n. 13.445/2017, conhecida como Lei de Migração. Trata-se, portanto, de uma narrativa acadêmica construída a partir de vivências pessoais e coletivas, que evidencia o diálogo entre memória, identidade e processos de pertencimento.
Palavras-chave: Identidade paraguaia; Cultura; Memória; Migração.
21/10 — Professores debatedores
Laerte Mello
Rodrigo Audi
Silvani Moreno
Trabalhos de Conclusão de Curso - Concluintes (8LM)
Karina Almeida
— Apresentações —
18h. Emília Helena, Gabriela Giardino (Woods) e Mateus Pigari
19h. Cauã Stevaux, Anna (Akari) Kagawa, Gabriel Kadowaki e Beatriz Lino (Bisilds)
Intervalo
20h30. Gabriella Liberman, Ruan Mesquita, Isadora Lodi e Tamires Reame
21h30. Pedro Gurgel, Bertha Rosenbaum e Catherine Lins
Ao infinito e além: um estudo de caso sobre animações em Toy Story
Bertha Miranda Rosenbaum
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A pesquisa tem como objetivo a reflexão sobre a importância das animações como narrativas contadas de maneira criativa e que instiga o pensamento crítico, dentro dos temas apresentados em cada história, no público que assiste, independentemente da faixa etária. Inicialmente, é estabelecido um panorama histórico das animações em questão de técnica e narrativa. Depois, discorro sobre os paradigmas sociais sobre animações. Por fim, por meio de uma análise do filme Toy Story (Lasseter, 1995), busco entender como animações conseguem quebrar os paradigmas citados, por serem um meio que comunica uma mensagem de forma efetiva e bem desenvolvida, gerando, dessa forma, debates e reflexões sobre estas mensagens. A escolha do filme se deu tanto por sua importância histórica, quanto pela originalidade em sua narrativa que gera uma conexão com o público em geral ao apresentar lições sobre amizade e pertencimento dentro de um coletivo pelo olhar de brinquedos que ganham vida longe do olhar humano.
Palavras-chave: Animação; Toy Story; Produção cinematográfica.
Beatriz Lino (Bisilds)
Gestos da plateia: o aplauso como linguagem social no teatro
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Este Trabalho de Conclusão de Curso investiga o aplauso no teatro como prática social, analisando suas funções simbólicas, políticas e culturais em diferentes contextos históricos. A pesquisa não se organiza de modo puramente cronológico, mas a partir das relações entre teatro e estruturas de poder, compreendendo o gesto como linguagem coletiva e marcador social. Ao longo dos capítulos, discutem-se as formas como distintos públicos — elites, burguesia e camadas populares — construíram modos de reagir à cena, transformando o aplauso em instrumento de distinção, adesão, contestação ou ritual. O estudo articula fontes teóricas, relatos históricos e reflexões estéticas para mostrar que esse gesto aparentemente simples nunca é neutro: ele traduz comportamentos sociais, regula a relação entre artistas e espectadores e revela disputas simbólicas que atravessam a cultura teatral. Assim, o trabalho contribui para compreender o teatro como espaço de negociação entre cena e sociedade, em que a plateia não apenas assiste, mas participa ativamente da experiência cênica.
Palavras-chave: Aplauso; Teatro; Recepção; Rito; Comportamento social.
Bertha Miranda Rosenbaum
As imagens das infâncias na vida: reflexões a respeito do Limiar e Brincar
Saiba mais
Esta pesquisa tem como eixo central o conceito de limiar, formulado por Walter Benjamin como zona intermediária de indeterminação e espera, situada entre dois estados ou territórios. A investigação buscou identificar em que contextos contemporâneos ainda se manifestam tais zonas, entendidas como espaços inaugurais da experiência. Nesse percurso, destacou-se o brincar, compreendido como experiência indissociável da infância e profundamente relacionado ao limiar. De acordo com Winnicott, o brincar ocorre em um espaço-tempo de indefinição entre o eu e o outro, entre o imaginativo e o real, possibilitando a criação de sentidos novos a partir da mobilização do corpo, da imaginação e da relação com o mundo. Nesse espaço indeterminado, a criança inicia modos de habitar o mundo por meio da experimentação, sem a busca de pontos fixos de partida ou chegada. Defende-se que as imagens da infância – brincar e limiar – evidenciam formas de relação progressivamente ocupadas pelas virtualidades digitais. Diante disso, propõe-se refletir sobre estratégias que reabram espaços de experiência no presente, sugerindo, ao final, práticas docentes que favoreçam vivências ligadas ao brincar e ao limiar.
Palavras-chave: Brincar; Limiar; Experiência; Infâncias.
As imagens das infâncias na vida: reflexões a respeito do Limiar e Brincar
Anna Tejon Kagawa (Akari)
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Esta pesquisa tem como eixo central o conceito de limiar, formulado por Walter Benjamin como zona intermediária de indeterminação e espera, situada entre dois estados ou territórios. A investigação buscou identificar em que contextos contemporâneos ainda se manifestam tais zonas, entendidas como espaços inaugurais da experiência. Nesse percurso, destacou-se o brincar, compreendido como experiência indissociável da infância e profundamente relacionado ao limiar. De acordo com Winnicott, o brincar ocorre em um espaço-tempo de indefinição entre o eu e o outro, entre o imaginativo e o real, possibilitando a criação de sentidos novos a partir da mobilização do corpo, da imaginação e da relação com o mundo. Nesse espaço indeterminado, a criança inicia modos de habitar o mundo por meio da experimentação, sem a busca de pontos fixos de partida ou chegada. Defende-se que as imagens da infância – brincar e limiar – evidenciam formas de relação progressivamente ocupadas pelas virtualidades digitais. Diante disso, propõe-se refletir sobre estratégias que reabram espaços de experiência no presente, sugerindo, ao final, práticas docentes que favoreçam vivências ligadas ao brincar e ao limiar.
Palavras-chave: Brincar; Limiar; Experiência; Infâncias.
Catherine Bandeira Lins Böttcher
O bilinguismo através da arte: a essencialidade de recursos artísticos no processo de aprendizagem de um idioma estrangeiro
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Esta pesquisa relata o estudo de idiomas estrangeiros por meio de recursos artísticos, destacam-se dentre eles a música e o audiovisual. Iniciando-se no surgimento das famílias linguísticas e na necessidade do idioma próprio, a pesquisa engloba estratégias embasadas no consumo artístico para a fluência de um idioma não materno. Contando com o relato de pessoas trilíngues e poliglotas, entre eles o meu pessoal, bem como de professores de diversos idiomas no ensino infantil e fundamental, o presente trabalho aprofunda-se no reconhecimento de signos idiomáticos e na sua memorização, consciente e inconsciente, quando auxiliados pelos recursos acima citados. A presente pesquisa reforça, portanto, a necessidade e relevância da arte na aprendizagem de pessoas que buscam se aprofundar em um novo universo linguístico, bem como o oferecimento de práticas para educadores que desejam incorporar arte em suas metodologias de ensino, enriquecendo sua didática com abordagens culturalmente diversificadas.
Palavras-chave: Linguagem; Música; Audiovisual; Idioma; Ensino-aprendizagem.
Cauã Silveira Stevaux
Sintoma de dysphoria: práticas performáticas em corpos transicionais
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Por meio desta pesquisa, elaboro um percurso investigando a disforia como sintoma epistemológico da contemporaneidade: uma descategorização do sistema binário, uma desordem febril, um sinal de transformação planetária sem precedentes. As pandemias, o poder bélico, os microplásticos, o acoplamento da identidade em escalas cibernéticas e a cooptação das novas tecnologias pelo neoliberalismo compõem o cenário que evidencia as estratégias de hackeamento enquanto meio de sobrevivência para corpos subalternizados. Se o colonialismo se mascara através das ficções de “normalidade” e “naturalidade”, por meio da holofotação de corpos dissidentes, nesta pesquisa o processo é de protagonismo desses corpos, que se tornam eixo condutor histórico para a construção de proposições interdisciplinares e para algum movimento de coexistência no cenário disfórico contemporâneo.
Palavras-chave: Artificialidade; Gênero; Humanidade; Performance.
Emília Helena
Camaleônica I – Exórdio: um prefácio sobre alteridade
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Este trabalho busca analisar dentro das artes interpretativas, aqueles que buscaram e lapidaram suas personagens a partir de experiências/práticas/métodos da anulação/suspensão do “Eu”. Com base no trabalho filosófico de Emmanuel Lévinas (1906-1995), utilizo de partes de sua pesquisa para formar o léxico que norteará a leitura de procedimentos e pesquisas teatrais de Jerzy Grotowski (1933-1999) e do sistema italiano do século XVIII de declamação e gestos (La Drammatica) classificados pela pesquisadora italiana Anna Sica. O objetivo é a análise da figura do “Eu” em um recorte de processos artísticos que passam pela discussão da anulação do “Eu” tendo como embasamento filosófico as pesquisas de Lévinas.
Palavras‐chave: Emmanuel Lévinas; Jerzy Grotowski; Eleonora Duse; La Drammatica; Edward Craig.
Gabriel Naoki Kadowaki
Incentivo à cultura: como o teatro musical brasileiro se consolida a partir da Lei Rouanet
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O teatro musical no Brasil possui uma longa trajetória, desde os teatros de revista, teatro musicados, até os dias de hoje com musicais importados da Broadway (Estados Unidos) e do West End (Inglaterra), caracterizados pelas suas produções com grande orçamento, feito em grandes teatros, feito por atores, bailarinos, cantores renomados. Na última década, o número dessas superproduções aumentou no cenário cultural brasileiro, especialmente nas grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. Essas montagens são viabilizadas majoritariamente através da Lei Rouanet – o principal instrumento de financiamento de projetos culturais do país. Essa legislação permite que empresas e pessoas físicas destinem parte de seus impostos para apoiar projetos culturais previamente aprovados pelo Ministério da Cultura. Este trabalho propõe uma análise da Lei Rouanet, destacando seus aspectos positivos e negativos, reforçando a importância de um entendimento mais aprofundado sobre essa lei, principalmente por parte dos estudantes e profissionais das artes. Além disso, a pesquisa tem como objetivo investigar a situação financeira do teatro musical brasileiro, inspirado nos modelos estrangeiros, a partir dos dados de captação de recursos via Lei Rouanet nos últimos 10 anos, com especial ênfase no ano de 2024.
Palavras-chave: Lei Rouanet; Captação de recurso; Teatro musical; Proponentes.
Isadora Lodi
O letramento científico na formação de arte-educadores
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A pesquisa discute a importância do letramento científico para docentes de disciplinas não-científicas, em especial, da licenciatura em teatro, a favor do bem-estar coletivo e individual, físico e psicológico dos indivíduos. A investigação parte da compreensão de como os saberes docentes se constituem, respeitando a complexidade e a diversidade do processo, e como o letramento científico se insere nesse contexto. Em paralelo, foram levantados aspectos da ética ligada à docência, no intuito de reforçar o dever dos professores de se informar com responsabilidade epistêmica, e acumular um repertório que ofereça ao docente fundamentos científicos sobre temas pertinentes às relações comuns que pairam o lecionar.
Palavras-chave: Letramento científico; Saberes docentes,; Ética; Ensino de teatro.
Mateus Pigari Freitas
O pensamento de Meyerhold em Antunes Filho: uma comparativa entre mestres a partir da leitura de Sebastião Milaré
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Tendo como eixo central o livro Hierofania: o teatro segundo Antunes Filho, de Sebastião Milaré, esta pesquisa propõe uma relação entre os métodos e técnicas de trabalho do diretor brasileiro Antunes Filho (1929-2019), e do encenador russo Vsévolod Meyerhold (1874-1940). A motivação do estudo nasce tanto da experiência pessoal que vivi dentro do CPT (Centro de Pesquisa Teatral), dirigido por Antunes Filho, quanto da leitura da obra Do teatro, de Meyerhold. O paralelo estabelecido é fundamentado sobretudo pelo livro de Milaré, em diálogo com as obras Do teatro e Vsévolod Meyerhold: ou a invenção da encenação, de Gerard Abensour. A partir desse percurso, identifiquei semelhanças marcantes não apenas nos procedimentos e métodos de ambos, mas também no modo de conduzir o trabalho com os elencos. Trata-se, de evidenciar a singularidade com que dois dos maiores diretores de teatro da história desenvolveram seus métodos, suas posturas diante da cena e suas concepções de encenação.
Palavras-chave: Método; Técnica; Diretor; Encenador.
Pedro Gurgel
Função da arte diluída em sociedade
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Este trabalho apresenta um relato pessoal das minhas experiências com a arte e a educação, focando na utilização dos jogos teatrais como objeto de pesquisa. Exploro como minhas vivências no teatro, incluindo frustrações e aprendizados, moldaram minha visão sobre a educação e o papel dos jogos teatrais nas escolas. O embasamento teórico inclui o texto “O Lúdico na Educação Infantil: Jogar, Brincar, uma Forma de Educar” (2020), de Sandra Regina Dallabona e Sueli Maria Schmitt Mendes, e as definições de jogos propostas por Johan Huizinga e Peter Slade. Além disso, integro as perspectivas do psicanalista Donald Woods Winnicott sobre a importância da expressão criativa para a saúde mental e o desenvolvimento pessoal, assim como os conceitos de Lev Vygotsky sobre o brincar, para fortalecer a argumentação sobre o valor do teatro e das atividades lúdicas nas escolas.
Palavras-chave: Educação; Brincar; Experiência; Peter Slade.
Ruan Mesquita
Expressão artística, símbolo e transformação: práticas artísticas como caminho de autoconhecimento
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Este trabalho investiga a prática artística como via de autoconhecimento, integração psíquica e transformação pessoal. A pesquisa dialoga com a psicologia analítica de Carl Gustav Jung, especialmente os conceitos de Self, individuação, sombra, anima e animus, bem como com a compreensão do sagrado em Mircea Eliade e a dimensão espiritual da atuação teatral em Mark Olsen. A arte é compreendida não apenas como expressão estética, mas como experiência simbólica capaz de mediar o encontro entre consciente e inconsciente, revelando conteúdos individuais e coletivos. Nesse percurso, os exercícios criativos surgem como dispositivos de experimentação que potencializam a expressão do inconsciente e a integração de polaridades psíquicas. O estudo propõe, assim, compreender de que maneira a criação artística pode favorecer processos educativos, espirituais e transformadores, utilizando símbolos arquetípicos e promovendo um espaço de formação integral do ser humano.
Palavras-chave: Psicologia analítica; Processo criativo; Expressão artística; Integração psíquica; Simbolismo.
Tamires Reame da Silva
Estesia e experiência estética: a percepção do corpo presente e sensível
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Este trabalho discute o papel da arte imersiva como forma de resgatar a possibilidade de estesia — a capacidade de experienciar e reconhecer o corpo e sua sensorialidade como partícipe da experiência estética — em sujeitos imersos na chamada “Era das Telas”, período marcado pela predominância das tecnologias digitais e pela primazia visual. A pesquisa parte de uma inquietação pessoal sobre os notáveis efeitos anestésicos e dissociativos de uma relação fragilizada entre indivíduo e mundo em decorrência da mediação predominante de dispositivos tecnológicos na experiência vivida, reconhecendo na arte um caminho possível de reconexão com o corpo e com o mundo. Esse estudo articula fundamentos da experiência estética a partir dos pensamentos de comentadores como Jorge Larrosa e da teoria crítica considerando Hans Ulrich Gumbrecht. Associo à pesquisa, ainda, ao conceito de fenomenologia a partir do pensamento de Maurice Merleau-Ponty a fim de refletir sobre os modos contemporâneos de percepção e a potência da arte imersiva frente ao empobrecimento sensorial. Abarco, ainda, a discussão sobre a impossibilidade da experiência sensível em decorrência de interfaces digitais. Para evidenciar estratégias sensoriais como forma de resistência estética à tecnomediação da experiência, são analisadas obras de arte contemporâneas que operam nesse sentido de resistência.
Palavras-chave: Estesia; Experiência; Percepção; Arte imersiva.