100 anos do ator e diretor Sérgio Cardoso
22, maio, 2025
Foi, sem dúvida, uma noite mágica, com a presença de importantes personalidades do nosso teatro e da nossa cultura, como a atriz Miriam Mehler, o ator Fúlvio Stefanini, sua mulher Vera Stefanini e os filhos, o diretor Léo Stefanini e o ator Fúlvio Filho, o dramaturgo Alcides Nogueira, a atriz Tuna Dwek, o diretor Emerson Danesi, o dramaturgo Sérgio Roveri, o ator Gabriel Braga Nunes, o diretor Ruy Cortez, o ator e cenógrafo Marcelo Bacchin, os jornalistas e críticos Atilio Bari (TV Cultura) e José Cetra (Palco Paulistano), a presidente do conselho da TV Cultura, Neca Setubal, o museólogo Fábio Magalhães, os conselheiros do Célia Helena Centro de Artes e Educação, Edilah Biagi e Ulisses Cohn, o neto de Sérgio Cardoso, Pedro Cardoso Leão, além de professores, funcionários e alunos do Célia.
Com as falas de Mehler e de Stefanini, que conheceram e trabalharam com Sérgio Cardoso, e de outros que deram seus depoimentos, pudemos notar o quanto esse encontro não apenas celebrou o passado, mas também ajudou a prospectar o futuro, sob o estímulo do comprometimento e da ética profissional de Sérgio Cardoso.
Encerramos a noite gratos pela oportunidade de compartilhar essa cadeia de eventos e de promover, uma vez mais, a prática e a reflexão do nosso ofício, no campo do Teatro, da TV e do Cinema.
Essa sempre foi, a propósito, a missão artístico-pedagógica do Célia Helena Centro de Artes e Educação, uma instituição que vem, há quase meio século, cultuando a memória dos que fizeram a história das nossas artes cênicas, sem deixar de contribuir para a sua evolução.
Exibição de documentário e roda de conversa marcam a celebração na escola de Teatro Célia Helena
O Célia Helena Centro de Artes e Educação realizará o evento 100 Anos de Sérgio Cardoso — uma homenagem ao centenário do grande ator, diretor e cenógrafo Sérgio Cardoso (1925-1972), considerado um dos artistas que renovaram o teatro brasileiro na década de 1950. A celebração acontecerá no dia 27 de maio de 2025, terça-feira, às 19h30, no Teatro do Célia. (av. São Gabriel, 444 — Itaim-Bibi). A entrada é gratuita com distribuição de ingressos no local até 1 hora antes do início do evento.
Na ocasião, será exibido o documentário 100 Anos de Sérgio Cardoso, idealizado, roteirizado e realizado por Hermes Frederico, com edição de Felipe Careli. Após a exibição, ocorrerá um bate-papo entre o diretor Hermes Frederico, Sylvia Cardoso Leão — organizadora do acervo Nydia Licia e Sérgio Cardoso —, e os professores da Escola Superior de Artes Célia Helena Lígia Cortez e Rodrigo Audi, com a mediação de Samir Yazbek.
Sucesso de crítica e público
Sérgio Cardoso estreou nos palcos em 1948, aos 22 anos, quando protagonizou a histórica montagem de Hamlet, de William Shakespeare, no Teatro do Estudante do Brasil, de Paschoal Carlos Magno. Desde seus primeiros trabalhos, o ator despertou a atenção de público e crítica pelo seu extraordinário talento.
Em 1949, em consequência do sucesso de Arlequim, servidor de dois amos, de Carlo Goldoni, espetáculo produzido por sua companhia, o Teatro dos Doze, Sérgio Cardoso foi convidado por Franco Zampari para integrar o elenco do Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, em São Paulo, onde participou de diversos espetáculos de sucesso, entre os quais O mentiroso (1949), de Carlo Goldoni, Entre quatro paredes (1950), de Jean-Paul Sartre e O anjo de pedra (1950), de Tennessee Williams.
Após passagem pela Companhia Dramática Nacional, no Rio de Janeiro, fundou, em 1954, a Companhia Nydia Licia–Sérgio Cardoso, onde produziu espetáculos ousados, como Lampião (1954), de Rachel de Queiroz, e Chá e simpatia (1957), de Robert Anderson, títulos que dirigiu e nos quais também atuou; e Vestido de noiva (1958), de Nelson Rodrigues, cuja direção foi bastante elogiada.
O sucesso nos palcos levou Sérgio à televisão, o que o fez conquistar definitivamente o grande público, tornando–se uma das maiores estrelas do país. Na TV Tupi, atuou, entre outras, nas novelas O sorriso de Helena (1964), de Walter George Durst, e Antônio Maria (1968), de Geraldo Vietri e Walther Negrão. Em 1969 estreou na TV Globo, integrando o elenco de A cabana do pai Tomás, de Hedy Maia; Pigmalião 70 (1970), de Vicente Sesso; A próxima atração (1970) e O primeiro amor (1972), de Walther Negrão, sendo este o trabalho que ficou marcado pelo prematuro falecimento do artista, aos 47 anos, antes do término das gravações — acontecimento que causou comoção nacional.
Sua brilhante carreira também contemplou o cinema, tendo atuado nos filmes A madona de cedro (1968), adaptado da obra de Antonio Callado, dirigido por Carlos Coimbra, e Os herdeiros (1970), escrito e dirigido por Cacá Diegues.
"A vida se expande em um paradoxo sem fim, sem rumo, o sentido cabe a você escolher"
Cem anos de Sérgio Cardoso no Célia Helena
Por Samir Yazbek (dramaturgo, professor e coordenador da Pós-graduação em Dramaturgia do Célia Helena)
O evento para celebrar o centenário do ator, diretor e cenógrafo Sérgio Cardoso, realizado no Teatro do Célia, do Célia Helena Centro de Artes e Educação, no último dia 27 de maio, que tive a alegria de mediar, destacou a importância daquele que foi um dos maiores atores que o nosso país já teve.
Após a exibição do tocante documentário “100 anos de Sérgio Cardoso”, dirigido por Hermes Frederico, diretor e professor da CAL (Casa de Artes de Laranjeiras), no Rio de Janeiro, tivemos um bate-papo com Lígia Cortez, atriz e diretora do Célia, Sylvia Cardoso Leão, médica e filha de Sérgio Cardoso e Nydia Licia, e Rodrigo Audi, diretor e professor da escola.
O encontro, como um todo, conduziu, em meio a uma corrente de afeto, a elaboração de uma teia de lembranças que compõem a história do teatro brasileiro.
Sylvia comoveu ao contar seu processo de resgatar e trazer a público a memória de Sérgio Cardoso, com arguta consciência da importância do legado do pai para as novas gerações.
Lígia revelou que o grande ator Raul Cortez, seu pai, considerava Sérgio Cardoso um farol artístico, citando como, para Raul, fora um marco a atuação de Sérgio em “Hamlet”, quando o diretor Paschoal Carlos Magno considerou este o maior ator brasileiro.
Audi traçou um painel do teatro nacional, destacando o papel crucial de Sérgio Cardoso em sua modernização, ao lado de outros artistas e companhias que até hoje reverenciamos.